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Paciente do CAPS Itaboraí demonstra que tratamento humanizado ajuda superar desafios

Pessoas que sofrem com doenças mentais são muitas vezes alvos de preconceito na sociedade, mas com o devido tratamento e acompanhamento médico esses pacientes conseguem seguir suas vidas de maneira saudável e inclusiva.  Nesta terça-feira (18/05), dia nacional da luta antimanicomial,  o paciente do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Itaboraí, Tiago Araújo dos Santos, de 32 anos, demonstra como o tratamento humanizado e oportunidades podem fazer conquistas imensas. Superando todas as adversidades, Tiago é um dos estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no curso de Serviço Social.

O feito bastante comemorado pela equipe do CAPS é fruto de uma história de perseverança e resiliência. Tiago tem Epilepsia, doença causada por alteração dos sinais cerebrais que pode causar desmaios e contrações musculares, e até os seus 16 anos nunca tinha procurado ajuda especializada para lidar com as sucessivas crises. E mesmo já realizando o tratamento, foi demitido de um antigo emprego quando a direção da empresa soube da sua doença.

A dura realidade enfrentada por muitos pacientes de doenças mentais deu mais força ainda para o jovem Tiago que naquele momento decidiu que não só iria terminar os estudos como também iria cursar uma universidade. Decisão que pegou de surpresa familiares e o pessoal do CAPS que imediatamente acolheram o objetivo do paciente e não mediram esforços para que ele se concretizasse.

“Quando a gente fala que toma remédio controlado as pessoas mudam. Elas desconhecem que a gente pode ter uma vida relativamente normal. Eu poderia ser aproveitado em outro setor ao invés de ser demitido. Quero ajudar as pessoas com doenças mentais a não sofrer o que passei. Por isso, eu escolhi cursar serviço social. O trabalho da equipe do CAPS nos ajuda a entender melhor a nossa condição de saúde e até nos informar sobre os nossos direitos”, contou o estudante universitário Tiago.

Desde 2013, Tiago tentava uma vaga.  Sua rotina de estudo sozinho em casa era divida com a rotina no tratamento da doença no CAPs de Itaboraí. O trabalho realizado pela equipe multiprofissional do CAPS é personalizado. O paciente passa por uma entrevista para determinar qual é a sua necessidade, objetivos e metas no tratamento. Igual como aconteceu com Tiago, o paciente começa a ser acolhido na rede de atenção psicossocial, numa perspectiva de promoção de Saúde, através de uma rede de serviços humanizados.

Em Itaboraí, a rede de atenção é dividida em três centros sociais: o próprio Centro de Atenção Psicossocial, para transtornos severos e persistentes; o CAPSI Marinéa Barreto, para crianças e jovens até 18 anos e; também, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool outras Drogas Lima Barreto (CAPSad).

Os pacientes do CAPS recebem, diariamente, café da manhã, almoço e medicação. Depois participam de atividades como: oficinas de artesanato, jardinagem, e atividades físicas. Segundo o coordenador de Saúde Mental, Guilherme Manhães, a rede Caps vai muito além do tratamento das doenças.

“Existe um histórico muito longo de exclusão das pessoas com doenças mentais. A data do dia internacional da luta antimanicomial é importante para fazermos uma crítica sobre a antiga maneira que o sistema de saúde lidava com essa questão. No Caps incentivamos as pessoas ocuparem espaços na sociedade. Damos apoio para que elas continuem estudando, sejam inseridas no mercado de trabalho e conquistem uma autonomia de vida. Tiago é exemplo disso. Todos estão muito felizes em saber que ele agora é um universitário de uma das maiores e prestigiadas universidades do país.”, explicou Guilherme Manhães.

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